segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mulher de Pizzolato acusa PT de nunca ter enfrentado o mensalão, diz revista.


Andrea Haas, mulher do ex-diretor do Banco do Brasil   Henrique Pizzolato (Foto: Reprodução/ISTOÉ)
Andrea Haas, mulher do ex-diretor do Banco do Brasil
Henrique Pizzolato (Foto: Reprodução/ISTOÉ)
Em Modena, na Itália, eram cinco horas da tarde da sexta-feira 7 quando Andrea Haas, mulher do mensaleiro Henrique Pizzolato, terminou uma reunião com seus advogados. Ela acabara de receber a notícia de que o marido permaneceria na cadeia, pois o pedido de liberdade provisória lhe fora negado. Ali mesmo, no escritório, concordou em receber a reportagem da revista ISTOÉ. Nos primeiros dez minutos da entrevista, Andrea quase não conseguia articular as respostas.
Suas mãos tremiam – fruto do nervosismo provocado pela constatação de que o plano de fuga do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil deu errado. E a certeza de que a Justiça italiana o trataria melhor do que STF também já não era a mesma. O posicionamento de Andrea foi determinante na decisão de Pizzolato deixar o Brasil. Durante a entrevista, ela reafirma que não vislumbraram outra saída a não ser fugir do País.
Andrea, no entanto, se recusou a esclarecer como foram falsificados os documentos usados por Pizzolato, não comentou sobre a situação financeira do casal na Europa e nem explicou por que razão ele votou em nome do irmão nas eleições de 2008, quando a prisão dos mensaleiros ainda não estava na agenda política brasileira. A tensão de Andrea só diminuiu quando ela começou a comentar a atuação do marido no Banco do Brasil e a criticar os ministros do STF.
ISTOÉ – Como a senhora se sente depois da prisão de Pizzolato?
Andrea – Eu me sinto arrasada. Você deixa de ser dono da sua vida. O Henrique está angustiado e decepcionado. Esperamos que justiça italiana seja mais correta e íntegra. Na União Européia, os direitos humanos e o amplo direito de defesa são garantias fundamentais. Hoje, a vida do Henrique não é mais dele. Quem manda em tua vida são os advogados, os juízes, os jornalistas. Quando começou tudo isso, a gente caiu num mundo que não conhecia, não temos mais controle. Você descobre que a verdade pouco importa. O que importa são os interesses políticos, o interesse material. É uma grande angústia, uma grande decepção.
ISTOÉ – Como a senhora avalia o comportamento do PT em relação ao Henrique Pizzolato durante julgamento do mensalão?
Andrea – Eu acho que ao longo do julgamento muitas pessoas fingiam não ver o que estava acontecendo. Elas achavam que não seriam atingidas e não queiram se envolver. Eu também ajudei a formar esse partido. Mas eu acho que o PT nunca soube enfrentar esse processo de frente. Deixou-se carimbar.
ISTOÉ – De uma forma ou de outra, a senhora teve contato com advogados, com pessoas que entendem de Direito. Quais impressões eles têm do julgamento do mensalão?
Andrea – Eles estão muito impressionados com o fato de que os réus não puderam ter um segundo grau de jurisdição. Isso é o que mais incomoda. Este é um direito que existe no mundo inteiro. Quando ouvem falar sobre isso eles dizem que é muito estranho. Um outro ponto que incomoda é a noção de que foi um julgamento político. (Leia entrevista completa na ISTO É)

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Aliados impuseram a 1ª derrota ao governo em 2014

 

Entre os 206 deputados que apoiaram a garantia de partilha de honorários com defensores públicos, 122 são de partidos da base governista. Quarta-feira foi marcada por intervenção de Mantega no Senado e rebelião do PMDB


João Paulo não dormiu preocupado com a "indisciplina": "O líder indica para a esquerda, e uma banda vai para a direita"
A base aliada foi determinante para a derrota do governo Dilma na primeira votação da Câmara em 2014. Os governistas deram mais da metade dos 206 votos que garantiram aos advogados públicos o direito de receber honorários em causas que venham a ganhar em defesa do Estado. Temendo a perda de receita, já que esses valores ficam hoje com os governos, o Planalto encaminhou seus aliados a derrubarem a proposta. Mas 122 deputados que fazem parte da base de sustentação de Dilma desobedeceram a orientação do líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Entre eles, 11 petistas e 21 peemedebistas – correligionários da presidenta e de seu vice, Michel Temer (PMDB).
Se na terça-feira à noite (4) o governo tomou uma derrota com ajuda da base na Câmara, na quarta-feira (5), foi necessária uma reunião de emergência entre o ministro Guido Mantega (Fazenda) e os senadores para evitar a aprovação de um projeto que reduz dívidas de estados e prefeituras e joga a conta bilionária no colo da União. Paralelamente, o maior partido da coalizão do governo, o PMDB, demonstrou estar insatisfeito com o governo Dilma e decidiu não indicar substitutos para os ministros do Turismo e Agricultura, na continuidade da reforma ministerial.
Na votação de terça-feira, os partidos da oposição (PSDB, DEM, PPS e Psol)  na Câmara e aqueles que se autodeclaram independentes (PSB, PV e Solidariedade) somaram apenas 84 votos.
Além do PT e do PMDB, também orientaram suas bancadas contra a mudança prevista no projeto do novo Código de Processo Civil, o PP, o Pros, o PSD, o PTB, o PSC e o PMN – todos governistas. O PR, o PTdoB e o PRP, que também integram a base aliada, encaminharam voto contra a recomendação do governo. O governista PCdoB liberou seus deputados para votar como quisessem. Dos dez parlamentares do partido presentes à votação, apenas um votou de acordo com o que queria o governo.
Veja como cada deputado votou, por partido
A votação dos deputados, por unidade da federação
Fonte: Congresso em Foco, com base em dados da Câmara
A divisão da base e do próprio PT causou mal-estar em plenário. Na tarde de quarta-feira (5), o deputado João Paulo Lima (PT-PE) subiu à tribuna para criticar a postura de seus colegas. O ex-prefeito de Recife disse que não conseguiu dormir na última noite preocupado com a falta de disciplina dos aliados na votação. Ele cobrou maior compromisso com o governo e as lideranças partidárias.
“Acredito que, quando há indicação da bancada, o partido tem o compromisso de votar com a indicação do líder”, cobrou. “Então, para que líder? O líder indica para a esquerda, e uma banda vai para a direita: ex-líderes partidários, ex-ministros”, criticou.
Segundo ele, os parlamentares que integram a base aliada precisam assumir “o ônus e o bônus” de ser governo. “Não tem sentido, absolutamente — inclusive é uma situação extremamente constrangedora —, um líder, que assume a bancada naquele dia, ver o líder que sai votando contra a indicação do líder”, continuou João Paulo, dizendo-se constrangido com a postura de 11 dos 61 petistas que contrariaram a orientação do governo. Entre eles, José Guimarães (CE), que acaba de deixar a liderança do partido, e o relator do novo Código de Processo Civil, Paulo Teixeira (PT-SP).
Os chamados honorários de sucumbência são valores pagos pela parte perdedora de uma ação ao advogado da parte vencedora. No caso dos advogados públicos, esse valor fica hoje com os governos – apenas alguns permitem a partilha. Com a mudança, cujas regras serão definidas em outro projeto de lei, caberá ao defensor do Estado parte nos ganhos decorrentes da causa. Os defensores da proposta argumentam que a medida vai fortalecer e estimular o trabalho dos defensores públicos.
Os críticos da proposta dizem que, com ela, os advogados públicos poderão ser beneficiados com salários acima do teto constitucional, hoje fixado em R$ 29 mil por mês.
A Câmara ainda tem quase 40 destaques ao text0-base do novo Código de Processo Civil para examinar. A reportagem procurou os deputados Paulo Teixeira e José Guimarães, mas não obteve retorno.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Deputado famoso se encrenca com a polícia


Enviado pelo leitor             

Um deputado em Brasília, notório por suas convicções ideológicas, se encrencou com a Polícia Federal. O caso vem à tona numa trapalhada. Ele mandou um ‘SMS’ de seu celular para um repórter, para alertá-lo sobre pauta, mas despercebido trocou o arquivo anexado. Surgiu na tela do interlocutor a imagem de bate-papo no Facebook entre a esposa de funcionário e servidores do gabinete, desancando o parlamentar sobre esquema investigado pela PF. Como o inquérito é sigiloso, a Coluna vai preservá-los.
Tô braba!. Na conversa, a senhora diz que o marido está prestes a perder o emprego porque, a mando do deputado, mentiu para a PF num depoimento sobre investigação de um vídeo.
Megafone ligado. Cobrada por uma posição, a mulher diz que vai desabafar a qualquer hora e estourar o esquemão. O parlamentar que se cuide.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Grupo quer tirar do TCDF réu do mensalão do Arruda

 

Movimento vai pedir à Justiça que anule nomeação de conselheiro do Tribunal de Contas do DF acusado de receber propina. Afastado desde 2009, Lamoglia já recebeu R$ 1,2 milhão do Tribunal de Contas do DF sem trabalhar





José Cruz/ABr
Arruda, ao lado da esposa, ao deixar a prisão. Ex-governador passou dois meses preso, acusado de atrapalhar investigações
Um grupo de procuradores, servidores públicos e integrantes de movimentos sociais vai ajuizar uma ação popular para anular a nomeação de um conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal réu em ação criminal do chamado mensalão do DEM, a Operação Caixa de Pandora. Integrantes da campanha “Ficha suja não julga contas públicas” pedirão a suspensão do pagamento de salários de um dos auxiliares do ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM, hoje no PR) e a devolução de R$ 1,2 milhão em remunerações recebidas por ele desde 2009. Nesse período, o conselheiro continuou ganhando R$ 22 mil por mês mesmo estando afastado do cargo por causa das investigações.
Domingos Lamoglia foi chefe de gabinete de Arruda antes de se tornar conselheiro do TCDF. Ele responde a processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto o ex-governador, que ficou preso dois meses e foi cassado por infidelidade partidária, é réu na primeira instância. A operação da Polícia Federal revelou um dos escândalos de corrupção mais documentados da história recente do país. Vídeos mostravam a entrega de dinheiro a Arruda, Lamoglia e outros políticos, autoridades e assessores.
A defesa de Arruda enxerga interesses eleitorais na ação popular. Advogados de Lamoglia afirmam que a acusação ignora a presunção de inocência dele.
O grupo “Fora, Lamoglia” é formado por procuradores, professores universitários, sindicalistas, servidores públicos e jornalistas. Um dos signatários da ação popular, o presidente da Associação dos Procuradores de Tribunais de Contas (Ampcon), Diogo Roberto Ringdenberg, informa que haverá uma reunião com apoiadores do movimento na Câmara Legislativa nesta terça-feira (4). Depois será protocolada a ação popular no Tribunal de Justiça da capital federal.
Segundo ele, Lamoglia não poderia ter sido nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), em 2009, porque não tinha condições de assumir o cargo por falta de “reputação ilibada”, uma das exigências da Constituição. À época, o Ministério Público Federal já havia representado contra o então chefe de gabinete de Arruda. Para o grupo, o ato do então governador estava “viciado”.
Lamoglia está afastado de suas atividades desde dezembro de 2009, pouco depois de a operação da PF ter sido deflagrada. Apesar da suspensão, continua recebendo salários. Se completar cinco anos no cargo, porém, terá direito a se aposentar do cargo – atitude que o movimento quer impedir. Informalmente, servidores do TCDF dizem que o processo que pode demiti-lo do cargo não anda porque depende das conclusões do STJ, que não julgou a ação criminal até hoje.
Ringdenberg disse que o então governador Arruda “apressou” a nomeação de Lamoglia para evitar que ele fosse barrado em sua tentativa. A nomeação aconteceu em 25 de setembro de 2009. “Entre a indicação e a posse se passaram 48 horas, quando o Ministério Público Federal apresentou representação criminal aos TSJ nas primeiras 24 horas”, disse o procurador em entrevista ao site na tarde de quinta-feira (30).
O advogado de Arruda, o ex-desembargador Edson Smaniotto, disse ser uma afirmação “gratuita” a de que o então governador sabia dos problemas de Lamoglia e, por isso, apressou sua nomeação. “Nenhum juiz declarou qualquer ilicitude na nomeação do conselheiro”, afirmou ele à reportagem. “Quem tem que dizer isso é o STJ”, continuou Smaniotto.
Já o advogado de Lamoglia, Pierpaolo Bottini, afirmou que não se pode dizer que o assessor de Arruda não tinha reputação ilibada quando foi nomeado, porque só havia uma representação do Ministério Público contra ele. “Não havia nem denúncia, acusação inclusive em que discutimos a validade das provas”, afirmou Bottini.
O vídeo que mostra Lamoglia recebendo dinheiro foi gravado pelo ex-secretário de Arruda Durval Barbosa Rodrigues, o operador do mensalão. Parte do dinheiro, sustenta o Ministério Público, serviu para que Arruda comprasse deputados distritais e garantisse a aprovação de um plano diretor na Câmara Legislativa de Brasília.
Articulação eleitoral
De acordo com o Correio Braziliense, Arruda ensaia uma volta à política este ano junto com o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Eles almoçaram no fim de semana e prometeram se aliar nas próximas eleições para derrotar o PT em 2014. Caso não possam concorrer, por causa dos processos que enfrentam e da Lei da Ficha Limpa, apoiariam um candidato em comum. Na quarta-feira, Roriz conversou com o ex-senador Luiz Estevão (PRTB-DF), que foi cassado em 2000, para costurar uma aliança mais ampla.
Na opinião do advogado de Arruda, o período em que a ação popular é ajuizada pode demonstrar as reais intenções do grupo. “É fora de proposta discutir isso agora. Chega em época eleitoral, que pode demonstrar o interesse político”, avaliou Smaniotto.
Ao dar posse a Lamoglia no TCDF, o então governador elogiou o ex-auxiliar, àquela altura já flagrado recebendo dinheiro de Durval, embora o vídeo não tivesse sido divulgado. “Estejam certos de que acertaram na escolha. Em toda a carreira deste engenheiro elétrico, sempre prevaleceu sua competência e equilíbrio para tomar as decisões certas”, disse Arruda, segundo comunicado oficial do seu governo, em 25 de setembro de 2009.
Lamoglia cresceu em Itajubá (MG), terra natal de Arruda. Os dois cursaram Engenharia Elétrica na mesma universidade. Foi quando começaram “uma relação de amizade”, segundo o comunicado. Lamoglia assessorou Arruda no Senado, até ele renunciar ao mandato por ter violado o painel eletrônico da Casa. Assim como o ex-governador, foi servidor da Companhia Energética de Brasília (CEB)
Mais sobre Caixa de Pandora

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Tuminha: "Escrevi um livro, não fiz um inquérito"

ESAPAÇO DO LEITOR
Gabriel......email


:
Convidado do Roda Viva, da TV Cultura, ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior desconversou sobre provas das acusações que faz contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT em seu "livro-bomba" propagandeado pela Veja, "Assassinato de Reputações: um Crime de Estado"; "O dia em que você quiser ver provas, peça o inquérito e nós conversamos", disse; ele promete segundo livro sobre a relação de Lula com a ditadura: "Eu não digo que ele prestou informações graves, mas que prestou informações úteis, previa movimentos. Eu não posso antecipar e não posso permitir que fure o tomo dois"

4 de Fevereiro de 2014 às 05:43


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

As vergonhosas mordomias do governo petista.

ESPAÇO DO  LEITOR:
Vieirinha.............email




Ao trocar as belezas naturais do Rio de Janeiro pelo cenário moderno de Brasília, um recém-comissionado do governo não imaginava que receberia tanto dinheiro. Na transferência para a capital federal, além da mudança bancada pelos cofres públicos, recebeu ajuda de custo equivalente a três meses do novo salário, uma para ele, outras duas para a mulher e o filho menor de idade. Embolsou, livres de impostos, R$ 54 mil.

Dois meses depois, com a demissão do chefe que o convidou para o cargo, acabou dispensado. Sem alternativa e decepcionado, retornou para o Rio. Mas, para surpresa dele, não só teve os bilhetes aéreos e o transporte pagos novamente pelo governo, como ainda recebeu mais R$ 54 mil de ajuda de custo. Nesse curto período, engordou a conta bancária em R$ 108 mil por conta do Tesouro Nacional.

O dinheiro extra levou o ex-comissionado a se perguntar: “Realmente tenho direito a esses benefícios, ainda que a lei os preveja? A decisão de mudar de cidade foi minha. No máximo, as passagens aéreas e o gasto com o transporte dos móveis de casa são justificáveis. Mas receber R$ 108 mil em dois meses passou da conta”, ressalta ele, que não quer se identificar, temendo represálias. “No pouco tempo que permaneci em Brasília, ficou a impressão de que as pessoas do governo acreditam que o dinheiro do contribuinte é capim, nasce em qualquer lugar”, afirma.


A gastança com as benesses do alto escalão da Corte brasiliense espanta gestores públicos de países mais civilizados. Carros, voos executivos, almoços e jantares nos melhores restaurantes, internet e telefones ilimitados podem ser obtidos facilmente quando se entra nesse mundo. A depender do degrau alcançado na escada do poder, quase tudo é possível. Parte das mordomias atende também o funcionalismo dos segundo e terceiro escalões. N o ano passado, Executivo, Judiciário e Legislativo consumiram em toda sorte de benesses R$ 10,7 bilhões. Essa, porém, é a parte visível da farra com o dinheiro do contribuinte.

Muitas despesas da Presidência da República, de ministros, de parlamentares e de juízes não são abertas, sob a alegação de segurança nacional. Mas a falta de transparência estimula os abusos. “A democracia não tem preço, mas tem um custo elevado, que sempre pode ser reduzido com austeridade e bom senso”, observa Gil Castelo Branco, coordenador da organização não governamental Contas Abertas. “Há muito se prega o enxugamento da máquina pública, que se diminuam as despesas com a burocracia a fim de que sobrem recursos para áreas essenciais, como saúde, educação e segurança”, afirma. “O que vemos é exatamente o contrário. Uma máquina cada vez mais inchada, pesada e cheia de privilégios.”

Exageros

O inchaço começa pela nomeação de apadrinhados políticos, cabos eleitorais e candidatos derrotados em eleições, que usufruem da maior parcela das benesses. Dependendo da graduação do DAS, como se denomina a função desse grupo, eles têm carro à disposição, que, mesmo contrariando a lei, leva os filhos para a escola, auxílio moradia e, claro, a ajuda de custo de até três salários quando chegam e quando saem de Brasília. Em 2013, somente com salários, os DAS custaram quase R$ 1 bilhão ao contribuinte. Já as despesas com pessoal requisitado absorveram R$ 615,3 milhões.

A quantidade de ministérios no governo Dilma Rousseff, 39 no total, facilita a propagação das benesses. Com apenas 18, no entender de especialistas, o país seria perfeitamente governável. As alianças políticas, no entanto,obrigam a existência dessa profusão de ministros e cada um pode custar de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões por ano. “Tal situação impacta muito mais pelo exemplo negativo do que pelo efeito no Orçamento. Infelizmente, com os ministros vão os apadrinhados, que abusam dos cargos de DAS”, analisa Marcos Troyjo, professor na Universidade Columbia, em Nova York.

Apesar de parte das benesses da Corte ser visível, a gastança só se torna gritante quando se descobre que a presidente Dilma torrou mais de meio milhão de reais com uma comitiva numa viagem à Itália ou quando fez uma parada técnica para jantar no restaurante mais caro de Portugal e se hospedou no hotel mais luxuoso de Lisboa fatos que o Palácio do Planalto tentou manter sob sigilo. “A questão é quanto a sociedade pode suportar a demanda crescente por impostos para financiar gastos públicos sem critério. Será que se justificam tantas despesas num país em que há tanto por fazer pela população?”, questiona Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Atlântico e integrante do Movimento Brasil Eficiente.


No Brasil, pelo menos 5 mil carros estão à disposição dos Três Poderes, sem muito critério para uso. Os privilégios da Corte brasiliense estão no chão e nos ares. Diante das regras frágeis, integrantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo usam os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) até para fazerem implantes de cabelo. A bordo, são servidos bufês com canapés de camarão e caviar, pato assado e o que mais o viajante desejar. Apenas o contrato entre a Presidência da República e a empresa RA Catering custa mais de R$ 2 milhões por ano aos cofres públicos.

Pobre contribuinte

O uso do auxílio moradia e de apartamentos funcionais também é desregrado. Alguns há anos são ocupados por ex-servidores que deixaram os cargos, mas se recusam a abandonar os imóveis. Funcionários relatam que o benefício tem permitido a muitos apadrinhados fazerem uma poupança robusta. Para recebe-lo basta apresentar um bilhete aéreo mostrando que vem de outra região. No caso de ministros, o auxílio pode chegar a R$ 6,6 mil, o equivalente a 25% do salário. (Correio Braziliense)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

CAMAÇARI : Fora a mixórdia política ! fora a falácia !

Prefeito de Camaçari  Ademarionete  e   CAItano








(Com licença poética de Mário de Andrade e seu Ode ao Burguês)

Eu ignoro o boquirroto! O boquirroto rotundo!
Entendo suas míseras razões para apontar com o dedo sujo,
Mas o ignoro. Não aceito sua provocação para duelos,
Já que sempre lhe caberá a escolha das armas. Eu não sei usar a língua
Com a destreza que os marginais românticos usavam navalhas,
Sempre a sorrelfa.
Para mim a língua, mesmo quando é lâmina, tem que ser limpa.

Eu ignoro a matilha adestrada! Raivosa, maltrapilha matilha!
Aquela que, “papagaiamente”, repete à exaustão as mirabolantes
Teorias da conspiração do chefe do canil. Late às carruagens
E não se dá conta que constrói com sua cantilena, catedrais da
Mais absoluta inutilidade. Ignoro a matilha, que por covardia e
Conveniência não olha, não comenta e finge que não existe
O rabo de palha do cão guia.

Eu ignoro o boquirroto mitomano!
O que do altíssimo de seu destemor doentio se arvora dono da única verdade
E decreta sentenças para adversários e desafetos, como quem se acha
O ungido dos céus. O único, o invicto. Cínico.

Abaixo as amizades convenientes!
As que atendem tão somente aos propósitos imediatos da insana
Busca do Poder. O Poder pelo poder. O poder pela vingança. O poder
Pela herança. O Poder privado de inteligência e sensibilidade. O poder
Medíocre. O poder hipócrita. O poder que ceva a miséria sem libertá-la
Nunca. O poder das obras michas!

Condolências, contudo, a Madame Bovary de calças compridas!
É improvável, a essa altura do tempo, que entendas que
O mundo não gira em torno de seu umbigo, mas vá lá,
Água mole em pedra dura, se a água não acabar antes,
Pode ser que a fure.
Condolências ao leitor idiossincrásico da cartilha de Maquiavel!
Porque nem todos entendem aquilo que lêem. Mas só o exercício da
Leitura é uma virtude. Embora, nesses casos, seja também um perigo.

Fora o ódio! O ódio biliar, que atormenta o hospedeiro
E o desorienta, uma vez que sua carga é corrosiva e
Mais rápido que se imagina abre fendas na alma humana.
Fendas definitivas.
Fora a inveja na sua forma mais crua. Mais desumana!
Viva verdadeiramente a escolha cívica e democrática,
Soberana senhora dos destinos públicos de todos.

Fora os falastrões baldios!
Para quem a traição é sempre quando seus interesses
São contrariados. Seus minúsculos e privativos interesses.
O que fingem ignorar é que o maior dos traidores é aquele
Que apunhala, impiedosamente, a sua consciência, aquele “morcego”
que toda noite, invariavelmente, entra no quarto escuro,
como alerta Augusto dos Anjos.

Fora a falácia! Fora a astúcia calhorda! Fora a mixórdia política!
Fora!
toudeolhoemademar13.blogspot.com